Entenda o que é o Caderno de Campo e veja um passo a passo para implementar

Na produção rural, é necessário sempre ter atenção sobre detalhes dos processos que envolvem o cultivo e a colheita de alimentos hortifruti. Leia esse artigo para entender como um Caderno de Campo auxilia nessa tarefa e veja um passo a passo para implementá-lo.

Tempo de leitura: 6 minutos
Mulher avaliando um solo de plantio com o Caderno de Campo

No Brasil, a rastreabilidade de alimentos é obrigatória desde 2018. Por conta disso, produtores rurais devem etiquetar produtos e fazer o registro de várias informações. Isso envolve o plantio, tratamentos fitossanitários que foram aplicados e a identificação dos compradores da produção. Esse controle é denominado Caderno de Campo.

Com a implementação de códigos para cada tipo de alimento, se torna mais fácil identificar a sua origem, os cuidados que ele recebeu e qual foi a sua rota até chegar em quem vai consumi-lo. Assim, é possível manter registros completos de produção, validar o trabalho rural de forma legítima e melhorar a gestão da propriedade.

No artigo de hoje, veremos o que é o Caderno de Campo, qual é a sua importância, as vantagens de manter os seus registros e um passo a passo para implementá-lo. Confira a seguir!

O que é o Caderno de Campo?

Para agricultores experientes, conhecer os seus terrenos e saber quais são os segredos do seu cultivo é algo muito natural. No entanto, mesmo com muitos anos de experiência e prática em campo, sempre há fatores de melhoria contínua para avaliar. Nesse cenário, surge a necessidade de se adaptar às tendências e evoluções da tecnologia no mercado.

Entre as necessidades de pesquisa agrícola, o Caderno de Campo surge como uma ferramenta fundamental. Através dele, é feito um controle das rotinas de cultivo e colheita de alimentos hortifruti, que devem ser mantidos na fazenda para atender as exigências da rastreabilidade vegetal.

No Caderno de Campo, é fundamental fazer registros detalhados sobre os dados coletados durante um cultivo. Isso inclui qualquer observação ou comentário observados durante os processos, com esboços e descrições completas.

Essa metodologia tem como objetivo trazer credibilidade ao estudo da precedência e da rastreabilidade de alimentos. Assim, é possível identificar as falhas mais recorrentes, como o uso inadequado de agrotóxicos. 

Segundo levantamento feito pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) entre 2017 e 2018, de maneira geral, 23% dos alimentos testados na pesquisa tinham agrotóxicos proibidos ou acima do volume permitido. Esse é um grande demonstrativo da importância de manter registros específicos sobre o cultivo de alimentos.

Qual é a importância de utilizar o Caderno de Campo?

O registro no Caderno de Campo traz muitas vantagens, seja pelo detalhamento da origem dos produtos ou pela fácil identificação de etapas no processo de cultivo. Já os benefícios para o consumidor final estão na compra segura de mantimentos com precedência e na alimentação mais saudável.

É preciso destacar que, com um controle maior sobre a cadeia produtiva através dessa ferramenta, a tendência é que haja uma evolução constante na gestão de processos, buscando:

Para a produção rural, o Caderno de Campo também é uma excelente oportunidade para agregar valor às suas produções e se destacar no mercado. Com registros completos, é possível identificar os melhores produtos para vender e aproximar os compradores. 

Quando e como usar um Caderno de Campo?

O Caderno de Campo deve ser preenchido durante a atividade no campo ou logo em seguida. O importante é que as informações registradas sejam bastante precisas. Não é recomendado fazer anotações antes de uma tarefa ou muito tempo depois que ela foi finalizada. A dica é tentar documentar tudo de imediato para evitar que dados incorretos sejam inseridos.

Essa ferramenta pode ser utilizada manualmente ou no computador, com o Caderno de Campo online. No caso de preenchimento à mão, todos dados deverão ser anotados à caneta para evitar rasuras nas anotações. Se ocorrer algum erro ao registrar, o ideal é riscar (tachado simples), mas manter a falha visível para permitir a leitura do responsável técnico. 

Vale ressaltar que existem vários modelos dessa ferramenta disponíveis, mas, nesse artigo, iremos abordar o que é proposto pela Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (FAEG), que realizou uma publicação completa a respeito. 

No entanto, é importante ressaltar que não existe um modelo oficial, e é possível alterar os controles conforme as necessidades de produção.

O único requisito obrigatório é que os itens atendam às exigências mínimas da lei de rastreabilidade hortifruti. Ela determina que tanto o Caderno de Campo quanto os receituários agronômicos devem ser arquivados por 18 meses após a data de validade ou expedição de alimentos frescos. Já as notas fiscais de venda de produtos ou compra de insumos devem ser arquivadas por 5 anos. 

Outro fator importante é que o Caderno de Campo deve ter, em anexo, os seguintes documentos / comprovantes de produção:

  • Notas de aquisição de insumos e receituário agronômico; 
  • Laudos de análises de solo e água; 
  • Laudos de análises de subprodutos e/ou materiais aplicados como fertilizantes.

Passo a passo para utilizar um Caderno de Campo

Para a implementação do Caderno de Campo, é necessário informar algumas características para manter o registro geral. Confira quais são elas a seguir:

1. Identificação do produtor e da propriedade

O primeiro passo para iniciar os registros do Caderno de Campo é identificar os dados das pessoas responsáveis pela produção rural e pelo acompanhamento técnico – obrigatório para alimentos hortifruti. Geralmente, o formulário deste item é a capa do Caderno e todos os seus campos precisam ser preenchidos.

Para informar a localização da propriedade, é necessário especificar as suas coordenadas geográficas em GMS (grau, minuto, segundo – DDDº MM’ SS’’). Um exemplo correto seria: Latitude: 28°05’56”S Longitude: 48°40’30”O. No caso de surgirem dificuldades em relação às coordenadas, o Sindicato Rural local ou os técnicos da EMATER e SENAR devem ser contatados.

Em relação à emissão de Nota Fiscal de Venda, é muito importante que as coordenadas geográficas e o número de registro no CCIR (Certificado de Cadastro de Imóvel Rural) sejam informados como endereço da propriedade. Isso porque a lei da rastreabilidade hortifruti exige que o comprador tenha acesso a essas informações.

2. Croqui da propriedade

Esse item se trata de um desenho que sinaliza os principais pontos de infraestrutura rural (rio, córrego, açude, casa, estrada, etc). A intenção é que as áreas de cultivo sejam apresentadas individualmente, seja em quadra, talhão ou parcela. Cada divisão das áreas de produção deve ser identificada também em campo por meio de placas de plástico ou madeira.

É essencial ter esse registro para diferenciar setores de plantio, pulverização e colheita de acordo com as suas respectivas datas de execução. Um exemplo de aplicação dessa técnica é segmentar as práticas de cultivo em talhões A e B, ou 1 e 2. Assim, também é mais fácil indicar o lote dos produtos para comercialização.

O objetivo do registro do croqui da propriedade é permitir que o fiscal identifique qual é a estrutura da sua rastreabilidade vegetal. Por isso, lembre-se de:

  • Indicar pontos de referência para a sua localização;
  • Estabelecer um espaço entre o começo e o fim do terreno. Dentro desta área, deve conter os principais elementos que identificam a propriedade; 
  • Identificar construções e estruturas dentro da propriedade que sejam relevantes;
  • Elaborar o croqui sobre um papel quadriculado para facilitar o desenho dos elementos de acordo com a sua proporção. Não é necessário que as dimensões sejam exatas e perfeitas, mas sim compatíveis com a realidade;
  • Criar e sinalizar legendas para canteiros e quadras. Por exemplo: C1, C2, Q1, Q2. Isso facilitará a separação dos lotes e a fiscalização da produção.

3. Planilha para registro da aplicação de insumos

Para cada canteiro ou quadra da propriedade, é preciso criar uma nova página no Caderno de Campo para registrar a aplicação de insumos para adubação e preparo do solo. Também é obrigatório incluir anotações sobre qualquer aplicação de defensivos agrícolas para o combate de pragas (como inseticidas, fungicidas, herbicidas e outros produtos químicos).

A Lei de rastreabilidade vegetal exige que seja informada na planilha:

  • A data de aplicação;
  • Qual foi a dosagem utilizada em relação à que é recomendada;
  • De que forma foi aplicada;
  • Qual foi o período de carência do insumo;
  • A pessoa responsável pelo serviço.

Antes de aplicar qualquer produto, é interessante consultar as recomendações de um Receituário Agronômico ou uma pessoa especializada em Engenharia Agronômica. Essa é uma forma eficiente e prática de garantir que a cultura esteja de acordo com o que é esperado para manter um determinado padrão de qualidade. 

4. Planilha para registro da produção em Lotes

No momento da colheita, os alimentos produzidos no mesmo canteiro/quadra devem ser separados em lotes. É assim  que se denomina o conjunto de produtos vegetais da mesma espécie, variedade ou cultivo proveniente de uma área nomeada como quadra, talhão ou parcela. 

Esse processo deve ser feito para grupos da mesma espécie que receberam os mesmos tratamentos fitossanitários (aplicação de defensivos agrícolas). 

A mesma área pode ser identificada em planilhas separadas se estiver recebendo aplicação de defensivos agrícolas em datas diferentes. Em relação ao lote, a descrição pode ser feita pela data de colheita (dia/mês/ano) com a subdivisão. Por exemplo: 23/03/21 Quadra A – 2.

Para facilitar a marcação destes dados na embalagem, o ideal é que se abrevie os lotes e evite o uso de barras ou traços. Com essa aplicação, o exemplo anterior se tornaria 230321QA2. 

No caso do acondicionamento de produtos de lotes diferentes na mesma embalagem, o registro deve apresentar todos os lotes de origem. No caso de uma caixa de morangos colhidos 30/03/21 nas Quadras A/B, por exemplo, o lote se torna 300321QAB.

5. Ficha do comprador de cada Lote

Ao vender a produção, a pessoa responsável terá que montar uma ficha para cada comprador/cliente. O preenchimento dessas informações é obrigatório, então se certifique que todos os itens abaixo estejam corretos e completos. Deverá ser registrado: 

  • Nome completo ou Razão Social do comprador;
  • CPF, Inscrição Estadual, CNPJ, ou CGC MAPA;
  • Endereço (se tratando de Zona Rural, informar as coordenadas geográfica ou CCIR);
  • Bairro;
  • Cidade/UF;
  • CEP;
  • Telefone e/ou e-mail;
  • Data de venda;
  • Número da nota fiscal;
  • Tipo de produto; 
  • Lote e quantidade adquirida.

Vantagens de usar um Caderno de Campo

Com todas essas etapas, pode parecer muito trabalhoso executar um Caderno de Campo. No entanto, essa ferramenta permite otimizar processos variados no cultivo de alimentos hortifruti, possibilitando que a pessoa responsável pela pesquisa:

  • Mantenha um registro organizado de informações coletadas na colheita dos produtos, de curto a longo prazo;
  • Salve os dados mais importantes para determinados lotes e cultivos;
  • Use os registros para acrescentar informações ao testar novas estratégias e apresentar resultados diferentes;
  • Utilize o Caderno de Campo como backup ao enviar relatórios de pesquisa.

Para tornar o processo de implementação mais eficiente, conte com um software de monitoramento e aplicação de tarefas de rotina! Assim, é possível fazer registros em tempo real para monitorar atividades de cultivo sem se preocupar com cada detalhe de produção da ferramenta.

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Redatora especialista em Branding e Sistemas de Informação. Apaixonada por livros intrigantes, pessoas envolventes e um bom cafézinho compartilhado ☕
Theodora Falabretti

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