Economia circular e sustentabilidade: tendências para o futuro do varejo

A economia circular é apontada como uma das grandes tendências para o varejo, acompanhando o assunto que mais está em pauta nos últimos anos: a sustentabilidade.
Atualizado em: 22 de maio de 2023
Tempo de leitura: 7 minutos

Você já ouviu falar sobre economia circular? Trata-se de uma das grandes tendências para o varejo nos próximos anos. Segundo a Accenture, até 2030 a adoção do modelo circular deve gerar a economia de US$ 35 bilhões à indústria de bens de consumo embalados.

A economia circular traz consigo uma série de práticas e conceitos importantes para a atualidade. Entre eles, o famoso ESG, famoso nas conversas entre gestores e executivos do varejo que já estão de olho nos novos hábitos do consumidor moderno.

Porém, a economia circular é uma decisão estratégica e vai muito além de pequenas ações pontuais para manter as aparências. Para obter resultados reais, é preciso se aprofundar no tema. Aqui, reunimos tudo o que você precisa saber para implementar o conceito. 

O que é economia circular?

A economia circular surgiu com o objetivo de minimizar a demanda por recursos naturais, preservar as reservas do planeta e garantir o equilíbrio de biomas e ecossistemas. Afinal, ela propõe a utilização da matéria-prima até o seu esgotamento, ou seja, até quando o material não puder mais ser transformado, reutilizado ou reciclado. 

Assim, é possível prolongar a utilidade de um mesmo material para a humanidade, evitando o descarte precoce e até sem o cuidado adequado, o que acaba por prejudicar o meio ambiente. Uma garrafa de plástico, por exemplo, leva 200 a 600 anos para se decompor. 

De acordo com o conceito da economia circular, essa mesma garrafa pode ser reaproveitada para uma nova finalidade, sendo reciclada e transformada, ou até higienizada para armazenar outro líquido.

O conceito de economia circular aborda a fabricação e consumo de itens dentro de uma lógica cíclica. Dessa maneira, estende-se a vida útil desses produtos. 

É por isso que a economia circular é um tema fortemente ligado à sustentabilidade, pois ela torna a produção em si mais sustentável, menos dependente de novos recursos naturais. 

Qual a origem do termo economia circular? 

O termo surgiu pela primeira vez em um artigo escrito em 1989 por economistas ambientalistas. A inspiração? O tradicional símbolo de reciclagem — aquele com três setas curvas, dispostas em formato triangular no sentido horário. 

Esse símbolo remete ao processo cíclico de produção, que tem tudo a ver com o conceito e economia circular. O artigo chamou atenção do mundo sobre o desprezo das pessoas pela reciclagem, que era a base da economia circular naquela época. 

Hoje, felizmente, o assunto se fortaleceu e está entre as grandes tendências para o varejo nos próximos anos. 

Vantagens da economia circular

É inegável a importância da economia circular para o mercado como um todo, seja na economia de insumos, economia financeira para as empresas e também para o consumidor final. Aqui, listamos alguns pontos que atestam a eficiência dessa estratégia sustentável:

Proteção ao meio ambiente

Reduzir o uso de recursos naturais ao reutilizar e reciclar produtos é uma forma de evitar a perda de biodiversidade e os prejuízos às paisagens e aos habitats. Isso envolve, por exemplo, a redução da emissão anual total de gases do efeito estufa 

Nesse contexto, também deve-se lembrar da gestão de resíduos. Isso porque produtos e processos mais eficientes e sustentáveis podem reduzir mais de 80% o impacto ambiental, de acordo com a Agência Europeia do Ambiente, a EEA.

Redução da dependência de matéria-prima

Sabemos que, a longo prazo, nosso planeta não suportará a produção desenfreada, a fim de atender toda a população mundial. De acordo com projeções, a população mundial alcançou 8 bilhões de pessoas em 2022.

Segundo a ONU, embora a saúde pública tenha se desenvolvido o suficiente para aumentar a expectativa de vida, é preciso que a humanidade cumpra sua responsabilidade compartilhada de proteger as pessoas e o planeta. 

Afinal, a escassez pode se tornar realidade sem a correta gestão de matérias-primas, uma vez que esta é limitada. Além dos danos ao planeta, deve-se ter em mente que os mais vulneráveis são os primeiros a sofrer com a insuficiência

Assim, a reciclagem de matérias-primas é uma das ações que pode mitigar riscos atrelados à oferta, sobretudo a volatilidade de preços.

Geração de empregos

A economia circular aumenta a competitividade no mercado, estimula a inovação das empresas e incentiva o crescimento econômico em diversas frentes. Tudo isso requer mão de obra. Ou seja, não é exagero dizer que essa estratégia pode gerar empregos aos países. 

Redução de custos

Uma vez que a economia circular impulsiona a inovação, é natural que vejamos no mercado produtos com diferentes tecnologias, mais duradouros, resistentes, reutilizados e recicláveis, o que pode tornar o consumo mais barato para o consumidor a longo prazo. 

Como os consumidores estão se envolvendo na economia circular?

Segundo pesquisa da DNV, o conhecimento do consumidor sobre economia circular já é bastante avançado e continua em crescimento. Além disso, as percepções dos consumidores são positivas.

A pesquisa revelou que 64,2% conhecem a economia circular. Desses, 45% possuem amplo conhecimento e participam ativamente do conceito. Além disso, é interessante observar que o maior engajamento vem de gerações mais jovens — que vão determinar o cenário econômico dos próximos anos. 

As informações sobre a economia circular normalmente são obtidas por meio de redes sociais (60,9%), discussões políticas (26,8%) e amigos (23%).

Isso demonstra o quanto empresas do varejo e da indústria precisam fazer mais para divulgar a economia circular e gerar confiança. Apenas 1 a cada 5 entrevistados destacou que as empresas são fontes de informação nesse sentido. 

Essa é uma tendência que as empresas devem ficar de olho. Isso porque 48,1% compram produtos recicláveis, e 62,9% preferem comprar menos ou comprar produtos de segunda mão.

Entre os fatores que esses consumidores mais observam nas empresas, estão: 

  • Condições de trabalho;
  • Qualidade do produto; 
  • Certificações do produto; 
  • Rótulos verificados; 
  • Declarações de sustentabilidade validadas.

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Quais as tendências de sustentabilidade no varejo?

Entre as principais ações envolvidas à tendência da economia circular, estão:

Crescimento do consumo consciente e responsável

Você já ouviu falar de ESG? Sigla para Environmental, Social and Governance, trata-se de métricas ambientais que contribuem para mensurar o nível de comprometimento de uma empresa com o meio ambiente.

Hoje, isso tem um peso gigantesco no mundo dos negócios, e deve crescer ainda mais. ESG não traz somente um selo que certifica uma companhia, mas a impulsiona a organizar processos internos e criar políticas que contribuem para o desenvolvimento ambiental, de governança e da comunidade.

São ações genuínas que não passam despercebidas pelos consumidores que buscam marcas e produtos com maior consciência por parte das empresas

Aumento da demanda por produtos sustentáveis

A pandemia de covid-19 transformou processos em diversas instâncias, sobretudo em aspectos econômicos e sociais. As compras são exemplo disso. Desde o consumo digital até a identificação de produtos “free”, como o plastic free.

De acordo com o Mercado Livre, 25% dos compradores da Black Friday pertencem à geração Z, ou seja, nascidas entre 1995 e 2010.

O grupo é bastante adepto do conceito de economia circular e direcionar as demandas para essa geração, que está ganhando mais poder aquisitivo e consumindo mais, é essencial para o sucesso no varejo. 

Adoção de práticas de sustentabilidade em operações de varejo

Entre as principais práticas de sustentabilidade que o varejo pode tomar, estão:

  • Reduzir o consumo de descartáveis;
  • Instalar postos de coleta seletiva;
  • Comprovar o uso consciente de água e energia elétrica, com políticas;
  • Cuidar do descarte adequado de lixo;
  • Valorizar produtores locais;
  • Adotar a documentação eletrônica em seus processos e minimizar a produção e o descarte de papeis.

Atenção aos impactos ambientais da cadeia de suprimentos

A cadeia de suprimentos é responsável por até quatro vezes as emissões de gases de efeito estufa, em relação às operações diretas de uma empresa. Entre as boas práticas para reduzir o impacto ambiental, estão:

  • Mapeamento completo de sua cadeia de suprimentos;
  • Identificação de pontos de vulnerabilidade;
  • Observação das práticas de empresas atreladas ao comércio, como fornecedores e transportadores;
  • Simulação de cenários de impacto climático;
  • Atenção aos sinais de mudanças climáticas;
  • Implementação de backup nos contratos firmados com fornecedores;
  • Etc.

Como implementar a economia circular no varejo?

Como abordamos, a economia circular é tendência garantida para os próximos anos no varejo. Mas para entender como isso se aplica na prática, trouxemos as principais ações relacionadas a esse conceito:

Práticas de redução de resíduos

Não basta que a sua empresa esteja apenas parcialmente comprometida com a economia circular. Afinal, ela envolve toda a cadeia de consumo. Primeiramente, certifique-se de que todos os envolvidos estão alinhados aos seus objetivos sustentáveis.

Um dos pontos mais importantes é o descarte de resíduos, que deve ser seguido à risca na empresa. Invista em treinamento, publique políticas oficiais e estabeleça indicadores para mensurar a eficiência do processo

Além disso, abra o diálogo com seus funcionários, pois eles também podem contribuir positivamente para a causa com novas ideias e formatos. 

Produtos sustentáveis

Como falamos, a inovação é determinante para a economia circular, e isso não se restringe somente às indústrias. 

No varejo, encontrar novas formas de reaproveitar, reutilizar ou reciclar materiais, além de disponibilizar informações sobre o tema aos consumidores, faz muita diferença.

Valorizar produtores locais e dar preferência e maior espaço para produtos sustentáveis, de empresas com responsabilidade socioambiental, também é uma forma de implementar o conceito de economia circular no varejo. Com isso, além de conquistar os consumidores mais preocupados com o assunto, a boa reputação do comércio também fica em evidência.

Sistemas de logística reversa

O descarte da maioria dos resíduos é considerado um desperdício, já que os recursos envolvidos em sua fabricação são simplesmente inutilizados.

A tratativa de resíduos sólidos sempre foi um desafio, pois gera custos de implementação e demanda ajustes em toda a cadeia de suprimentos, dos fabricantes aos distribuidores, lojistas e até o consumidor.

É nesse cenário que a logística reversa se tornou tão importante para as empresas comprometidas com economia circular, pois ela visa a coleta de resíduos sólidos após o uso, visando seu reaproveitamento para outras finalidades.

O objetivo da logística reversa é reduzir a quantidade de detritos jogados à natureza, ou aqueles descartados de forma inadequada. Assim, o que seria lixo ganha um novo propósito, pois se torna matéria-prima para novos produtos.

Lojas e supermercados podem ser pontos de descarte responsável e de logística reversa, funcionando como um tipo de intermediador entre o consumidor e a empresa que fabricou o produto.

O que as empresas de varejo estão fazendo para adotar a economia circular?

Existem inciativas de economia circular em diferentes setores do varejo. 

No mundo das fast fashion, por exemplo, a economia circular começa a ser uma realidade para mitigar os efeitos da alta produção no qual esse tipo de negócio se baseia. A Zara possui um projeto para revenda, conserto e doação de roupas por meio de seu e-commerce. O projeto piloto acontece no Reino Unido.

As lojas Renner investem em projetos de lojas circulares desde 2019, e já divulgaram inúmeros resultados, entre eles: 

  • Redução do consumo de água em 56%;
  • 8,5 toneladas de aço estrutural e 37% na quantidade de MDF reduzidos;
  • Abastecimento de lojas físicas com energia renovável de fonte eólica.
  • Cerca de 97% dos resíduos aproveitados; 
  • Mais de 200 milhões de peças sustentáveis vendidas com o Selo Re, a frente sustentável da companhia;
  • Coleta de cerca de 155 toneladas de produtos descartados pelos clientes nas unidades com ponto de logística reversa.

Já no setor de móveis, a Mobly criou a plataforma Mobly Usados, que promove a venda de mobiliário de segunda mão, no qual é possível vender móveis usados que estejam em bom estado. 

No exterior, a Ikea, por sua vez, faz a compra de móveis usados que os clientes não querem mais. Assim ela abriu uma loja de artigos usados na Suécia.

Você também quer implementar uma estratégia de economia circular no seu varejo, mas precisa do auxílio da tecnologia para manter processos padronizados? Quer prevenir perdas no estoque, mantendo manutenções e limpeza em dia e, ao mesmo tempo, reduzir o descarte de papel que a gestão manual exige? Então, agende uma demonstração do Checklist Fácil e faça como as grandes do varejo, como Assaí Atacadista e Cia Tradicional de Comércio já estão fazendo para otimizar a gestão.

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