Atacado e varejo: saiba quais as diferenças antes de investir

Atacado e varejo são duas formas de comercialização de produtos, sendo a principal diferença entre elas o público-alvo para qual cada tipo de mercado está destinado.

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Quando se fala em desenvolvimento da economia brasileira, é impossível deixar as palavras varejo e atacado fora da conversa. Afinal, o setor terciário, formado por comércio e serviços, possui um histórico de imenso crescimento no país.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o valor adicionado ao Interno Bruto (PIB) pelo setor passou de 69% em 1997, para 73% em 2018 — sendo o comércio o principal responsável por esse avanço. E os números não se intimidaram pela pandemia do coronavírus, pelo contrário!

Segundo o Ranking Abad/Nielsen 2021, o setor atacadista e distribuidor brasileiro registrou crescimento nominal de 5,2% em 2020, com faturamento de R$ 287,8 bilhões, a preço de varejo. Já o crescimento real ficou em 0,7% e garantiu ao setor a participação de 51,2% no mercado nacional, abrangendo mais de 50% do mercado pelo 16º ano consecutivo.

Mas o que é atacado e varejo e por que eles têm tamanha importância? A gente te conta!

O que é varejo e atacado?

Atacado e varejo são dois tipos de comércio de produtos, sendo a principal diferença entre elas o público-alvo para qual cada tipo de mercado está destinado.

Esses são os formatos de negócios mais escolhidos por empreendedores que desejam trabalhar com vendas, seja em pontos físicos ou mesmo pela internet.

Vale lembrar que os empreendedores não precisam optar por uma ou outra. Afinal, é possível trabalhar com varejo e atacado ao mesmo tempo.

Vamos entender melhor como cada uma dessas modalidades funciona?

O que é atacado?

O comércio atacadista é caracterizado pela comercialização de produtos em grande escala. Ou seja, seu objetivo é revender produtos em grande quantidade. É por isso que seu público-alvo não é o consumidor final, mas sim outras empresas ou revendedores. Ou seja, de forma geral, a venda do atacado se destina à pessoa jurídica.

Como trabalha com alto volume de compra e venda de produtos, os atacadistas trabalham com preços mais baixos. Afinal, comercializam as mercadorias diretamente das fábricas. Só para exemplificar, os preços do atacado podem ser até 50% menores do que no varejo.

Alguns exemplos de empresas desse ramo são distribuidores e depósitos.

O que é varejo?

O comércio varejista, por outro lado, é uma modalidade de comercialização de produtos em pequena escala. Portanto, tanto seu volume de compra como de venda são menores do que no atacado. O público-alvo do varejista é o consumidor-final, isto é, pessoa física.

Com a venda de produtos em menor quantidade, o preço de cada item acaba sendo mais alto do que no atacado. O cálculo do valor de cada unidade tem com base a média oferecida pelo mercado local.

Lojas, livrarias, farmácias e supermercados fazem parte do setor varejista, por exemplo.

Exemplo de atacado e varejo

Só para ilustrar, basta pensar no processo de compra e venda de barrinhas de chocolate. O atacadista faz negócio diretamente na fábrica, adquirindo uma grande quantidade de barrinhas por um valor mais em conta, justificado pelo alto volume.

O atacadista, portanto, vende essas barrinhas para outras empresas: mercados, padarias, etc. Essa venda também acontece em maior quantidade, porque esses mercados precisam de um estoque moderado.

O consumidor final, que deseja comprar apenas uma barrinha de chocolate, por exemplo, compra do mercadinho pelo preço praticado por ele, com base na média de preços dessa barrinha naquela região.

Assim, o consumidor final, que só quer uma barrinha de chocolate, recorre ao comércio varejista, pois no atacado só teria a hipótese de adquirir um pacote fechado com 500 barrinhas de chocolate de uma só vez. O valor por unidade é mais barato, mas as barrinhas não são vendidas por unidade.

Qual a diferença entre varejo e atacado?

Assim, podemos concluir que a principal diferença entre atacado e varejo é que, no varejo, os produtos só podem ser comprados em pequenas quantidades para o consumo diário, semanal ou mensal.

Já os atacadistas possuem um grande estoque, disponibilizando várias unidades para cada cliente. Para isso, o atacadista compra produtos diretamente dos fabricantes e os revende para os varejistas.

As origens do setor atacadista

O comércio atacadista surgiu em meio ao crescimento e especialização do comércio em si. Até o fim da Idade Média, na Europa, quem produzia os produtos também era o comerciante de sua produção, pois a produção em si não era assim tão grande ou diversa sem que ele mesmo pudesse negociar com o consumidor final.

No entanto, com o advento das grandes navegações, chegavam ao mercado grande variedade e quantidade de produtos comercializáveis, de origem em vários outros países. Assim surgiu a figura do distribuidor de produtos, responsável pelos bens que se importavam.

As origens do setor varejista

O comércio varejista, por outro lado, começa antes mesmo de Cristo, entre os anos 9.000 e 6.000 a.C. Seu início foi marcado pelos sistemas de escambo, isto é, trocas de animais como camelos, ovelhas e vacas. Em 3.000 a.C., as negociações começaram a envolver itens parecidos com o dinheiro.

Na Grécia Antiga, os comerciantes trocavam itens em um espaço urbano chamado Ágora. Na China, a troca de produtos era contabilizada pelo ábaco.

Diferentes formas de comércio de atacado e varejo

Com a evolução da tecnologia, bem como o crescimento do comércio em si, essas modalidades passaram a ter características ainda mais amplas, que podem confundir o empreendedor que deseja decidir entre um negócio e outro.

Por isso, reunimos algumas atuações práticas de varejo e atacado que acontecem nos dias de hoje para além do tradicional, bem como seus fundamentos. São eles:

  • Varejo no e-commerce
  • Varejo híbrido
  • Atacarejo
  • Atacado no e-commerce

Varejo no e-commerce

Como falamos, as lojas virtuais também se enquadram na categoria varejista, e os números só tendem a crescer, principalmente com os adventos relacionados à pandemia do coronavírus, que colocou o país sob regimes de quarentena e distanciamento social.

Em números, esse período impulsionou o faturamento do varejo digital em 56,8% de janeiro a agosto de 2020. O e-commerce brasileiro faturou 56,8% a mais nos oito primeiros meses de 2020, em comparação com igual período de 2019. Os dados são do Movimento Compre&Confie, em parceria com a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm).

Com a tendência dos novos padrões de consumo, é possível concluir que as vendas online representam uma fortíssima estrutura estratégica para o empreendedor varejista. Enquanto no varejo físico é preciso escolher um ponto de venda ideal, o ambiente digital requer que o empreendedor esteja sempre conectado.

Ele pode optar por trabalhar com loja digital própria, ou via marketplace (que agem como grandes shoppings virtuais que conectam varejistas ao consumidor final). Ou, então, o empreendedor pode até escolher os dois formatos. Por que não? 

Varejo híbrido

Além das vendas em loja física e virtual, também é possível se planejar para o varejo omnichannel, em que o varejista trabalha com pontos físicos e virtuais totalmente integrados. Isso significaria, por exemplo, que o consumidor pode comprar um item pelo site, mas retirar na loja, e vice-versa.

Assim, as informações estão todas assimiladas, com foco na maior comodidade e preferência de compra do cliente. 

Atacarejo

O empreendedor que está pesquisando sobre varejo já pode ter visto ou ouvido essa expressão popular em algum lugar. O termo se refere à mistura de atacado e varejo, o que resulta em um modelo de negócio que atende tanto o consumidor final quanto pequenos varejistas.

Assim, o atacarejo é o local que vende produtos em grandes e pequenas quantidades. Quanto mais se compra, menos se paga. Do mesmo modo, quanto menor a quantidade de produtos adquiridos, maior é o preço.

O atacarejo tem como características principais uma estrutura mais rústica. Em mercados, por exemplo, os prédios têm formato de grandes armazéns ou galpões, dispondo de amplo espaço para circulação de clientes e máquinas.

Dessa forma, gastos que trariam maior conforto ao cliente final podem ser cortados, pois é como se ele estivesse comprando tal como uma pessoa jurídica. Em vez de gôndolas, utiliza-se porta-paletes, o que simplifica a estocagem e facilita a movimentação de empilhadeiras.

Entretanto, não são lojas facilmente encontradas em grandes centros e apresentam um quadro reduzido de funcionários, pois o atendimento ao cliente não é realizado da mesma maneira que em lojas comuns. No caso, utilizam o conceito de atacado de autosserviço, também conhecido como cash and carry.

O público-alvo do atacarejo são justamente pessoas que buscam pelo melhor custo-benefício em suas aquisições. Afinal, compras nesse tipo de comércio tendem a ser mais rápidas. Por isso, o negócio costuma atrair famílias grandes, que compram em grandes quantidades e dividem o valor pago. 

Atacado no e-commerce

Engana-se quem acredita que as lojas virtuais são canais exclusivos dos varejistas. Assim como eles, os atacadistas também podem comercializar seus produtos via online. A premissa é a mesma: a pessoa jurídica entra no site ou app e faz o pedido, que deve seguir as quantidades mínimas de compra estipuladas pela atacadista.

É uma boa opção para garantir diversidade aos varejistas, que podem adquirir produtos de atacadistas e fabricantes de outras cidades ou estados, por exemplo. E essa diversidade de produtos pode representar grande distinção entre a concorrência local.

Vantagens e desvantagens de atacado e varejo

Como falamos, o atacado e o varejo são de extrema importância para a economia. Além de empregar milhares de brasileiros, têm forte impacto no PIB e impulsionam o empreendedorismo no país.

No varejo, a principal vantagem é o desempenho do setor. Afinal, é a principal forma de aquisição de produtos pelo consumidor final. Se a estratégia de negócio está bem definida, com tamanho da empresa, público-alvo, qualidade do produto, marketing e gestão financeira estruturados, a geração de receita é certa.

Por seu funcionamento, o modelo também permite um número de clientes e de vendas maior. Além disso, como a venda é direta ao cliente final, pode haver a cobrança de um valor maior por mercadoria, o que aumenta a margem de lucro para o empresário.

Isso significa que, para optar por esse modelo de negócio, o empreendedor precisa planejar antecipadamente e buscar fornecedores. Além disso, deve escolher um bom ponto de venda (ou criar um digitalmente) e mantê-lo sempre atrativo aos olhos de quem passa por aquele lugar, ou mesmo presente em campanhas de publicidade digitais – para os que optam pelo e-commerce.

E o atacado?

No atacado, um dos maiores benefícios são as relações comerciais mais duradouras entre a empresa e seus clientes, o que facilita as previsões financeiras e aumenta a segurança sobre o faturamento. Além disso, o ticket médio tende a ser mais elevado, uma vez que as transações envolvem um volume maior de mercadorias.

Também não é preciso se preocupar na atratividade do ponto de venda, o que diminui as despesas com arquitetura, mobiliário e marketing, por exemplo. No entanto, como o volume de clientes é menor do que no varejo, é preciso investir em métodos de fidelização do consumidor.

Em resumo, tanto atacado como varejo são opções vantajosas para quem está pensando em começar o próprio negócio, e isso pode variar sobre o perfil de cada empreendedor, do produto que deseja vender, área de atuação e até conhecimento de mercado. 

Qual a importância da tecnologia no atacado e varejo e por que investir?

Tanto atacado como varejo são partes fundamentais da cadeia produtiva. Afinal, a cadeia produtiva nada mais é que uma rede que relaciona organizações, recursos, atividades e tecnologias envolvidos na criação e venda de um produto.

Tudo isso desde a entrega de matéria-prima do fornecedor até o fabricante, até a chegada do produto pronto ao consumidor final.

Todo esse ecossistema acompanha a evolução da tecnologia, de acordo com as novas demandas do mercado e determinadas pelos hábitos de consumido do cliente. Com a tecnologia, todos os envolvidos na cadeia produtiva conseguem meios eficientes para sustentar operações mais seguras e com melhores margens de lucro.

No atacado, a tecnologia melhora as práticas de gestão de estoque e armazenagem, controle de transporte e distribuição, identificação de falhas e aplicação de planos de ação para otimização da operação. Ademais, também é capaz de fornecer dados confiáveis e feedbacks atualizados.

Do mesmo modo, a tecnologia no varejo é fundamental. Além da melhor gestão de dados, importante para tomadas de decisão mais assertivas, a tecnologia possibilita maior controle do estoque à prateleira, de forma integrada e em tempo real.

Com processos padronizados, a empresa tem ganhos em produtividade e evita perdas, reduzindo também alguns gargalos comuns na gestão do varejo, como é o caso da ausência de produtos para a venda em períodos de maior procura, por exemplo.

Como usar o Checklist Fácil no atacado e varejo

Um checklist digital pode ser a saída para uma operação mais fluida e rentável. Afinal, a organização de um estoque, por exemplo, passa a ser muito mais eficiente com um sistema de localização e armazenagem via código de barras.

Do mesmo modo, um checklist para controle de estoque permite saber com exatidão quais mercadorias têm maior movimentação, bem como qual a frequência de reposição por período.

Assim, é possível prevenir perdas de produtos, identificar o que está causando gargalos e implementar políticas de melhorias no setor.

Além do aumento da produtividade gerado pela gestão de processos como um todo, o checklist também ajuda na gestão de pessoas. Pode atuar, inclusive, de forma integrada com a segurança do trabalho, ao implementar e seguir normas no ambiente de trabalho.

Nesse sentido, a tecnologia age como uma facilitadora para uma gestão financeira mais ajustada, e garante que as decisões sejam mais acertadas, uma vez que são extraídas de dados concretos da operação, em tempo real.

O Checklist Fácil também facilita as auditorias de Segurança de Alimentos, principalmente no armazenamento de dados sobre não conformidades, facilitando e agilizando tomadas de decisão e planos de ação.

Estes foram alguns dos ganhos que o Assaí Atacadista obteve ao adotar o Checklist Fácil em suas operações, que somam mais de 200 lojas espalhadas pelo Brasil. Quem conta sobre essa parceria de sucesso é a gerente de Segurança de Alimentos, Natália Figueiredo, no vídeo abaixo:

E aí: vai optar pelo atacado ou varejo? Se quer começar em algum dos ramos ou já atua no comércio e deseja saber na prática como a tecnologia é capaz de melhorar o seu dia a dia, agende uma demonstração do Checklist Fácil.

Especialista em Produto em Checklist Fácil
Especialista na solução Checklist Fácil, procuro colocar em cada conteúdo minha experiência e conhecimento. Assim, ajudo as empresas e seus colaboradores a terem mais qualidade e eficiência no trabalho.
Luciana Silva

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