CheckTalk: A tecnologia como aliada da Segurança do Trabalho

“A gente monitora todas as obras, nenhum profissional de segurança do trabalho hoje utiliza papel pra fazer inspeção”, afirma Paulo de Souza Montenegro, executivo de Sustentabilidade e Compliance da Elastri 
Atualizado em: 11 de outubro de 2023
Tempo de leitura: 6 minutos

Uma das melhores formas de buscar referências e aplicações possíveis para aprimorar o trabalho no dia a dia é ouvir histórias, dicas e aprendizados de outras empresas e profissionais. Esta é a proposta do CheckTalk, o podcast da Checklist Fácil que começou com a versão em espanhol e que agora teve sua estreia em português.

O primeiro convidado foi Paulo de Souza Montenegro, executivo de Sustentabilidade e Compliance da Elastri. A empresa atua no ramo da construção civil pesada, sendo a maior construtora do Sul do Brasil e uma das maiores do país.

A Construção Civil é um dos setores com maior necessidade de monitoramento de questões relacionadas à prevenção de riscos no ambiente ocupacional. No Brasil, aliás, o assunto pede atenção. Segundo o Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho (SmartLab), o balanço teve aumento até a última edição, em 2022.  

Os dados indicam que os acidentes de trabalho notificados (contabilizando somente pessoas com carteira assinada) tiveram aumento de 37% entre 2020 e 2021. O total de mortes, por sua vez, subiu 36%, e tudo isso demonstra o quanto esse assunto é sério.

Por esse motivo, seguir normas e regulamentações, definir padrões de procedimentos e contar com ferramentas são ações indispensáveis para uma cultura de segurança nas organizações. É necessário apoiar processos para assegurar a saúde e o bem-estar dos colaboradores como prioridade nas empresas.  

O assunto motivou a conversa da primeira edição do CheckTalk, que abordou a importância da tecnologia na segurança do trabalho. Veja mais detalhes a seguir!

Como escolher e implementar tecnologias para SST

Confira na sequência algumas dicas e práticas compartilhadas em uma entrevista com o primeiro convidado do podcast CheckTalk. Paulo de Souza Montenegro falou sobre como buscar e implementar uma tecnologia para SST, e compartilhou detalhes sobre a realidade da Elastri, que utiliza o Checklist Fácil para inspeções frequentes de segurança nas obras e em toda a organização. 

Você também pode ouvir o áudio completo do bate papo e acompanhar outros episódios do podcast para ficar por dentro de diversos assuntos relacionados à eficiência operacional.

Checklist Fácil: Quais são os critérios que devem ser considerados na escolha de uma tecnologia de gestão de SST?

Paulo: No passado recente aqui da Elastri, nós contratamos uma empresa pra fazer um trabalho, e não se pensou numa expansão da plataforma. Chegou num determinado momento em que o sistema não suportou a quantidade de alterações e evoluções. Então, são duas coisas super importantes: 

  • Um bom banco de dados estruturado, para você “brincar” com os dados, fazer um jogo de informações para você tomar a melhor conclusão, tomar a melhor ação necessária no teu dia a dia; 
  • E a questão da plataforma ter uma boa base para que ela consiga sempre estar evoluindo. 

E, claro, é importante também que a empresa tenha um bom suporte. Os usuários que vão usar aquela plataforma vão ter dúvidas, e às vezes o pessoal da segurança do trabalho só entende da segurança do trabalho, não entende da ferramenta, da tecnologia. Então, é preciso ter um bom suporte técnico para que as pessoas tirem as dúvidas o mais rápido possível.

Checklist Fácil: Vocês utilizam o Checklist Fácil na Elastri, né, Paulo. Pensando na questão de funcionalidades, o que, na sua visão, não pode faltar na ferramenta no dia a dia das operações de Saúde e Segurança no trabalho? 

Paulo: Nós utilizamos o Checklist Fácil há mais de um ano e meio. Pra nós, da indústria da construção civil, que trabalhamos em lugares remotos, um ponto super importante é a questão de ele (o sistema) trabalhar de forma offline.  

Nós trabalhamos em obras que ficam a 30, 40, 50 quilômetros distantes da cidade. Nós temos um ponto de internet na obra, mas o ponto de internet só fica no escritório. E nós temos acessos distantes na obra. Então, uma funcionalidade que a gente acha super importante é ter o trabalho offline, que o aplicativo seja offline.

Uma outra questão também é gerar planos de ação, pra gente notificar as pessoas que existe um problema, que existe um desvio, e que aquele desvio em algum momento vai ser resolvido.

Em terceiro lugar é a notificação para as pessoas, tanto notificação de planos de ação como notificação que aquela pessoa precisa fazer um checklist, precisa fazer uma inspeção, precisa fazer alguma ação de prevenção em relação à segurança do trabalho. 

E, um recurso muito importante que tem no Checklist Fácil é o agendamento. As notificações que naquela semana a pessoa tem que fazer três inspeções de segurança. Então, eu acho super importante essa questão de agendamento e de notificação dos usuários. Que aí o próprio aplicativo notifica o usuário que ele tem que fazer as ações de segurança previstas no aplicativo.  

Checklist Fácil: Depois de sabermos o que é preciso para escolher uma tecnologia e das funcionalidades necessárias, qual é, na sua visão, um passo a passo para inserirmos uma ferramenta nova em uma área de Saúde e Segurança no Trabalho?  

Paulo de Souza Montenegro, Executivo de Sustentabilidade e Compliance da Elastri, fala sobre a importância da tecnologia para a Segurança do Trabalho.

“Você tem que ter o processo bem definido. Não adianta eu, como profissional de segurança, contratar e trazer o Checklist Fácil aqui pra dentro da minha empresa e sair fazendo inspeção sem ter uma estruturação do processo. Eu vou patinar muito no começo!”

Paulo de Souza Montenegro, Executivo de Sustentabilidade e Compliance da Elastri

Paulo: O primeiro passo que eu vejo, que é super importante, é ter o processo definido, ter o processo mapeado

  • Quem são as pessoas que fazem as inspeções, que fazem os checklists? 
  • Qual é a periodicidade?  
  • Qual é o retorno dessas informações?  
  • As informações vão parar na mão de quem?  
  • Quem vai analisar essas informações?  
  • Quem toma as decisões com base nessas informações?  

Enfim, duas coisas importantes: o processo mapeado, bem mapeado, pra você não ter dificuldades no momento da implementação, e fazer testes. Buscar empresas pra fazer esses testes e colocar esses testes pra rodarem na mão dos usuários. E aí, sim, você tem que testar todos os aplicativos na mão dele, e ele vai te dizer qual que ele teve mais facilidade ou dificuldade.

Pra ter um exemplo, aqui na Elastri nós temos mais de 300 usuários no aplicativo Checklist Fácil. Não é só o pessoal da segurança que utiliza. Então, o líder, o encarregado, o engenheiro, o gestor de contrato, o diretor de contrato, todos utilizam o Checklist Fácil pra fazer ações de segurança. Esses profissionais têm que se sentir confortáveis ao utilizar esse aplicativo.  

Checklist Fácil: E qual foi o impacto para a Elastri em questão de indicadores, Paulo? O que você recomenda acompanhar e como o uso da tecnologia trouxe uma melhor visão de resultados para vocês? 

Paulo: Aqui na Elastri nós temos os indicadores de segurança do trabalho proativos e os indicadores reativos. Os indicadores proativos estão ligados muito à questão das inspeções. Então, na equipe de segurança do trabalho, nós temos metas aqui na empresa pra gente abolir o papel.

A gente monitora todas as obras, nenhum profissional de segurança do trabalho hoje utiliza papel pra fazer inspeção de máquina, equipamento, de estrutura, de refeitório, alojamento, escritório, extintor. São indicadores proativos que a gente monitora o quantitativo de inspeções que é feito por obra. A gente tem aqui uma disputa saudável com a equipe de segurança do trabalho.

Com as demais lideranças, nós temos o ICL, que é o Índice de Comprometimento da Liderança. É uma nota no final do mês que o profissional, o líder, o encarregado, o engenheiro, o gestor ou o diretor de contrato, tem que tirar de 0 a 10. E a nossa meta é que todo mundo tire a nota 10. Então, ele tem que fazer várias ações durante o mês, como:

  • Participar das reuniões de segurança; 
  • Fazer registro de boas práticas no campo; 
  • Participar de diálogos diários de segurança; 
  • Fazer avaliações comportamentais; 
  • Realizar observações de trabalho. 

Enfim, fazendo essas ações ele vai ganhando pontos ao longo do mês, e no final do mês a gente espera né sempre que o líder tire a nota 10. Então, também é uma disputa saudável, são indicadores proativos.  

E nós temos também aqui na empresa os indicadores reativos, que são os indicadores que a gente não gosta, que são aí os desvios e os incidentes. Os desvios, quando acontece um desvio num campo, numa frente de serviço, nós realizamos o registro desse desvio, e esse desvio pode ser corrigido naquele momento ou pode ser gerado um plano de ação.

Outro indicador reativo são as nossas taxas: taxas de frequência e as taxas de gravidade, ligadas a acidente sem afastamento e acidente com afastamento, que nós monitoramos hoje dentro do Checklist Fácil.

Se acontece algum tipo de incidente, nós temos o workflow, que é uma sequência de checklists para fazer a investigação e a análise de incidente. Então, quando um incidente ocorre, nós temos um workflow de investigação e análise de incidente que o profissional de segurança abre esse workflow: 

  • O primeiro checklist é um comunicado preliminar do evento; 
  • O segundo checklist é coleta de informações; 
  • O terceiro checklist é análise de causas básicas e imediatas; 
  • O quarto checklist é das evidências (um pouco de segurança, uma ficha de EPI, fotos do local do evento, depoimentos das pessoas).  

Através desse workflow, a gente consegue extrair as informações e gerar esse indicador reativo, que é tanto a taxa de frequência (relacionado à quantidade de eventos, de incidentes sem afastamento) e a taxa de gravidade relacionado a acidentes com afastamento. 

Checklist Fácil: A tecnologia trouxe impacto positivo na redução de incidentes e ocorrências? 

Paulo: Ajuda muito. Por exemplo, nós já fizemos aqui uma análise crítica de um passado recente. As obras que possuíam uma média de ICL maior eram obras mais comprometidas com o tema de segurança do trabalho, com eventos não desejados praticamente zero, conflitos internos entre produção e equipe de segurança praticamente nulos.

Então, a gente vê que quando as pessoas estão enxergando, estão executando a segurança do trabalho e tá num nível muito alto, a gente tem menos problemas. E as obras que registram mais desvios também, a gente percebe que as pessoas estão comprometidas em identificar o desvio e corrigir o desvio, e divulgar o desvio pras equipes.

Para ouvir a íntegra da entrevista, com mais detalhes compartilhados pelo Paulo sobre o uso da tecnologia em processos de Saúde e Segurança no Trabalho, confira o áudio completo e outras novidades do CheckTalk.  

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